estoy de acuerdo.
28.11.09
26.11.09
plano cartesiano
Para as linhas do gráfico que representa a minha passagem investigativa por aqui, um complemento que não sei se parte das abcissas ou das ordenadas. De qualquer forma, é eixo.
"A única atitude intelectual digna de uma criatura superior é a de uma calma e fria compaixão por tudo quanto não é ele próprio. Não que essa atitude tenha o mínimo cunho de justa e verdadeira; mas é tão invejável que é preciso tê-la". (Fernando Pessoa)
"A única atitude intelectual digna de uma criatura superior é a de uma calma e fria compaixão por tudo quanto não é ele próprio. Não que essa atitude tenha o mínimo cunho de justa e verdadeira; mas é tão invejável que é preciso tê-la". (Fernando Pessoa)
25.11.09
fred pop
Direto do túnel do tempo, vagando nas ondas sonoras de uma rua de Madrid hoje a tarde... Meus ouvidos, como sempre, continuam bem atentos.
E por falar em música, a dica da semana é a Cadena Dial, uma espécie de "BH Fm" de Madrid... hehehe
E por falar em música, a dica da semana é a Cadena Dial, uma espécie de "BH Fm" de Madrid... hehehe
vertigem boa
Quando éramos pequenos, eu e minha irmã íamos pra cama dos nossos pais de manhã, geralmente nos finais de semana. A gente cabia no meio deles. Depois a gente entrava debaixo das cobertas e meu pai, com as pernas dobradas, construía uma "cabana" de lençóis. Creio que ficávamos ali bastante tempo, brincando. A gente era tão miúdo, que cada um podia escolher o seu próprio compartimento na "cabana". Imensidão numa cama de poucos metros quadrados. Sensação legal. Lembrança daquilo de que sou feito. Vertigem do meu cochilo a caminho do campus, ontem pela manhã.
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24.11.09
do que não sei, sei em português
"Ao doido, doideiras digo. Mas o senhor é homem sobrevindo, sensato, fiel como papel, o senhor me ouve, pensa e repensa, e rediz, então me ajuda. Assim, é como conto. Antes conto as coisas que formaram passado para mim com mais pertença. Vou lhe falar. Lhe falo do sertão. Do que não sei. Um grande sertão! Não sei. Ninguém ainda não sabe. Só umas raríssimas pessoas e só essas poucas veredas, veredazinhas. O que muito lhe agradeço é a sua fineza de atenção" (Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas)
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23.11.09
consejo
Escutei hoje: Urbana Fanzine. Lançamento dessa banda que eu tanto gosto e que é trilha dos meus últimos anos longe de Minas.
palavras
Os ditos que estão nesse blog são e não são meus. Pois se as palavras são minhas ou reescritas por mim, depois de aqui postas também deixam de ser. A elas eu autorizo vida própria, com interpretações alheias. Sei disso.
Hoje, num intervalo de trabalho, li um poema. Explica a vontade de colocar "no papel" alguma coisa que vem. Escrever para apanhar o que surge. Palpável ou não. Depois disso, consequências leitoras.
Hoje, num intervalo de trabalho, li um poema. Explica a vontade de colocar "no papel" alguma coisa que vem. Escrever para apanhar o que surge. Palpável ou não. Depois disso, consequências leitoras.
Forma
Eucanaã Ferraz
Palavras, arrumá-las
de tal jeito
– cilada –
que se possa
apanhar com elas
um sentimento que passa.
Palavras, arrumá-las
de tal jeito
– cilada –
que se possa
apanhar com elas
um sentimento que passa.
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21.11.09
entendimento
Hoje teve festa lá no Brasil. Aniversário de 90 anos da minha avó. Família toda reunida. Pensei o dia inteiro nas pessoas, nos tios, tias, primos, primas, pai, mãe, irmã. Na "parentada". Eu aqui, refletindo mal sobre os meus ainda não 30 e ela lá, com três vezes mais que eu. E "sem pensar". Faz bem. Vivida, alegre, saudável, bem-humorada, disposta. Vovó Zezé.
Quero chegar às minhas nove décadas. E chegar assim. Rodeado de gente. Sendo, eu mesmo, motivo de encontros, de partilha, de comemoração. Quero chegar lá com a lucidez e com os olhos da minha avó. Que, além de enxergarem muito bem, sempre olharam o mundo com simplicidade e pureza. Foco em lentes de felicidade e sabedoria comum.
O meu presente foi um texto. Que enviei para ser impresso lá. Antes, fiquei em dúvida sobre o que escrever. Minha mãe me dizendo ao telefone: "lembre-se da sua leitora. Não escreva palavras difíceis". "Sim, eu sei", concordava. Mas quando sentei para redigir, as palavras vieram. Com linguagem de sinceridade. Os melhores dizeres. No fim, em vez de parabéns, eu disse "obrigado".
Toda vez que conversamos ao telefone, mesmo que poucas vezes, minha vó diz que "me entregou pra 'Nossa Senhora'". E eu nunca esqueço. Pois mais que fé, isso é amor.
Na última frase da carta pra ela, eu escrevi: " uma das belezas da sua idade, para mim, está no 'bonito que é' ser seu neto".
Acho que ela entendeu. Nossa rápida conversa hoje cedo foi também bem bonita.
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Quero chegar às minhas nove décadas. E chegar assim. Rodeado de gente. Sendo, eu mesmo, motivo de encontros, de partilha, de comemoração. Quero chegar lá com a lucidez e com os olhos da minha avó. Que, além de enxergarem muito bem, sempre olharam o mundo com simplicidade e pureza. Foco em lentes de felicidade e sabedoria comum.
O meu presente foi um texto. Que enviei para ser impresso lá. Antes, fiquei em dúvida sobre o que escrever. Minha mãe me dizendo ao telefone: "lembre-se da sua leitora. Não escreva palavras difíceis". "Sim, eu sei", concordava. Mas quando sentei para redigir, as palavras vieram. Com linguagem de sinceridade. Os melhores dizeres. No fim, em vez de parabéns, eu disse "obrigado".
Toda vez que conversamos ao telefone, mesmo que poucas vezes, minha vó diz que "me entregou pra 'Nossa Senhora'". E eu nunca esqueço. Pois mais que fé, isso é amor.
Na última frase da carta pra ela, eu escrevi: "
Acho que ela entendeu. Nossa rápida conversa hoje cedo foi também bem bonita.
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19.11.09
duchandome
Eu ando saudoso. Quem me lê sabe. Os poucos que me vêem, também. Não é só pela distância. É pela fase. Essa que a gente não escolhe e nem tem hora certa pra chegar. E saudade, pelo tempo que traz, é também tempo que se faz.
Hoje passei o dia todo em casa. Trabalhando. Tabulando dados de uma pesquisa que não é a minha, fazendo um texto para um evento de fevereiro, escutando música nos durantes, e mirando a luminosidade que invade o largo fosso que dá para a janela do meu quarto.
Meu apartamento é claro, mas a luz da rua sempre é mais forte. E essa eu não vejo diretamente. Não vejo o céu da janela. É preciso um certo malabarismo de pescoço. Só quando estou deitado é que observo o azul ou o cinza presentes nas variações diárias do quente ou frio outono madrilenho.
Digo essas coisas porque acabei de sair do banho. E debaixo do chuveiro é onde eu mais penso. Onde tenho idéias fantásticas, mirabolantes, sensatas. Onde aproveito, às vezes, para misturar as lágrimas à água que cai, disfarçando o choro - contraditoriamente - no meu momento de maior privacidade.
E foi na "ducha" de agorinha que pensei que faz muito tempo que não vejo o pôr-do-sol por aqui. Ele que foi minha grande companhia dos primeiros meses, nas quentes tardes de verão e de coração a mil. Repeti para mim mesmo que tinha que voltar a buscar o entardecer. O quanto antes.
Sei que a fase de turista já se foi e que a tendência ao momento caseiro se concretizaria. Mas há que se equilibrar as coisas, de dentro pra fora, de fora pra dentro. O tempo do hoje, que traz a saudade do antes, é o mesmo que trará, no amanhã, a saudade de Madrid. Pois tudo isso, em breve, já terá - e será - passado.
Hoje passei o dia todo em casa. Trabalhando. Tabulando dados de uma pesquisa que não é a minha, fazendo um texto para um evento de fevereiro, escutando música nos durantes, e mirando a luminosidade que invade o largo fosso que dá para a janela do meu quarto.
Meu apartamento é claro, mas a luz da rua sempre é mais forte. E essa eu não vejo diretamente. Não vejo o céu da janela. É preciso um certo malabarismo de pescoço. Só quando estou deitado é que observo o azul ou o cinza presentes nas variações diárias do quente ou frio outono madrilenho.
Digo essas coisas porque acabei de sair do banho. E debaixo do chuveiro é onde eu mais penso. Onde tenho idéias fantásticas, mirabolantes, sensatas. Onde aproveito, às vezes, para misturar as lágrimas à água que cai, disfarçando o choro - contraditoriamente - no meu momento de maior privacidade.
E foi na "ducha" de agorinha que pensei que faz muito tempo que não vejo o pôr-do-sol por aqui. Ele que foi minha grande companhia dos primeiros meses, nas quentes tardes de verão e de coração a mil. Repeti para mim mesmo que tinha que voltar a buscar o entardecer. O quanto antes.
Sei que a fase de turista já se foi e que a tendência ao momento caseiro se concretizaria. Mas há que se equilibrar as coisas, de dentro pra fora, de fora pra dentro. O tempo do hoje, que traz a saudade do antes, é o mesmo que trará, no amanhã, a saudade de Madrid. Pois tudo isso, em breve, já terá - e será - passado.
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comentário
Na primeira reunião de orientação aqui na Espanha, eu presenteei minha orientadora com dois "regalos". Um "profissional" (um livro) e outro "de amigo" (um CD*). Outro dia, após longa data, ela comentou comigo do disco. Assim, meio do nada. Disse que não conhecia, que não era o tipo de música que ela escutava, mas que todo o CD é muito intenso. Que eu tinha bom gosto, pela "força" das canções. Intensidade me persegue, tão vendo?
* o CD: "Dentro do Mar tem Rio" (Maria Bethânia - Ao Vivo)
p.s.: da Bethânia, nem todos gostam; do Álvaro de Campos (em Pessoa...), talvez.
* o CD: "Dentro do Mar tem Rio" (Maria Bethânia - Ao Vivo)
p.s.: da Bethânia, nem todos gostam; do Álvaro de Campos (em Pessoa...), talvez.
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